Geografia - 1º Ano e 2º Ano
COLEGIO ESTADUAL ERALDO TINOCO DE MELO
GEOGRAFIA – 1º e 2º ano Ensino Integral
Instruções: O aluno (a) deverá ler os textos e após fazer uma redação de
no mínimo 30 linhas falando da experiência dele com essa sua primeira pandemia,
como ele imagina que será o mundo após esse surto, quais são suas expectativas
quanto ao trabalho e se ainda as pessoas vão conseguir trabalho com pouco
estudo.
Pandemia de Corona vírus exige o fim da onipotência e da ignorância
A sociedade em que vivemos está
mais para castas do que para classes. Nela, a desgraça está destinada a alguns,
enquanto outros têm inclusive o privilégio de ignorá-la. A atual contaminação
não somente ignora essas fronteiras como começou vitimando aqueles cujo poder
aquisitivo fazia supor que tinham o corpo fechado, os lugares higiênicos e os
recursos médicos para se proteger.
Frente a esse vírus, não há
privilegiados. Talvez a experiência dessa trágica igualdade ensine um pouco
sobre o preço de viver sem pensar nos menos favorecidos. Não há como sair dessa
sem pensar em saúde pública, no sentido de todos contribuírem para diminuir a
disseminação da doença. Somente investimentos públicos maciços podem garantir
mais vidas, assim como atitudes coletivas de consciência e solidariedade. Ninguém
tem como se dar bem sozinho nesta. Espero que saiamos desta confusão, os que
sobrevivermos, com o egoísmo individualista no mínimo abalado.
Tendemos à onipotência e os poderes
imaginários que atribuímos à tecnologia, ao mundo digital. Suas supostas
maravilhas parecem colocar a humanidade aos pés da máquina e dos que melhor a
utilizam. Até que tropeçamos na realidade do corpo, da morte, de todas as
limitações que a fantasia digital vende como transponíveis. Descobrimo-nos,
então, dependendo da verdadeira ciência, que pode até beneficiar-se muito de
recursos tecnológicos (que ela mesma criou), mas em seu trabalho é cautelosa e
lenta. Suas descobertas salvam e transformam vidas, mas ela não é mágica. Não
nos acomodamos bem com a medida humana das coisas, desejamos crer em poderes
divinos, certezas eternas, só assim nos sentimos seguros. Por isso mantemos uma
relação ambivalente com os que possuem os conhecimentos dos quais neste momento
dependemos para sobreviver. Acredito que todo esse sofrimento possa diminuir a
paixão pela ignorância e o desprezo aos estudiosos.
Na relação com a natureza, deve
acontecer negociação semelhante. As plantas e os animais não podem ser
convertidos em bens para nosso uso indiscriminadamente. Quando um desequilíbrio
como um vírus animal dizima humanos, torna-se visível nossa fragilidade frente
à natureza poderosa e autônoma em seus desígnios. É possível negar os efeitos
de nossa intervenção irresponsável, pois carece algum raciocínio para ligar
nossos atos de agressão ao ecossistema às desgraças que eles provocam. Já uma
pandemia, como o Corona vírus, deixa explícita a fragilidade desses animais tão
prepotentes que são os humanos. Talvez aprendamos, se não a respeitar, pelo
menos a temer a natureza.
*Psicanalista e escritora, coautora dos
livros Fadas no Divã e A
Psicanálise na Terra do Nunca
Que sociedade vai emergir da pandemia?
"Gostaria de acreditar que uma
sociedade mais unida, mais integrada, mais empática. Certamente
o Corona vírus não irá transformar o mundo, tampouco a imensa
diversidade tão complexa dos seres humanos. Mas ele já está nos relembrando que
somos um planeta único, um sistema integrado, que o ser humano é igualmente
vulnerável sendo chinês ou americano, com mais ou menos dinheiro, branco ou
negro. O vírus também nos lembra que ser humano consegue rapidamente se
articular, buscar respostas, mas que também sobrevive se desacelerar, que tem
capacidade de se preocupar e cuidar e acima de tudo ser criativo e pode cantar
e brincar. Que isso permaneça! Que não seja um privilégio só dos tempos de
crise!"
Giuliana Chiapin, psicóloga
"É importante que uns tentem ajudar os outros. Vivemos tempos que requerem solidariedade. Solidariedade é o contrário
do neoliberalismo que há anos e anos buscam nos impor. Tudo o que aprendemos
sobre Estado mínimo estava errado. Imaginar o amanhã é o desafio que passa por
aprender já o quão decisivo são a educação pública a saúde pública, com o
fantástico SUS que os últimos governos vêm atacando ao minguar as verbas. A
hora não é de fanatismo político ou religioso, a hora é dos cientistas
desenvolverem novas vacinas, e a hora é dos artistas que precisam inventar como
chegar aos seus públicos pelas redes sociais. A hora é de a civilização
crescer, amadurecer e mobilizar suas forças de integração, ao contrário dos
últimos anos, nos quais Trump e outros líderes fizeram guerra. O
vírus, hoje, adoece, às vezes mata, gera tristeza, mas novos caminhos serão
criados como foram no passado. De algo estou seguro: os mais ricos, os ricos e
os letrados ou não têm de aprender mais sobre a importância da solidariedade. É
tempo de aprender que o futuro da humanidade passa pela solidariedade e não por
acumular milhões e bilhões como o triste Tio Patinhas."
Abrão Slavutzky, psicanalista
"Uma coisa é uma sociedade que
gostaria que emergisse: mais solidária, mais consciente da sua responsabilidade
com o coletivo, que desse mais valor a investimentos de longo prazo, como
atenção a saneamento, saúde básica e educação, em vez de deixar-se guiar pela
montanha-russa dos mercados financeiros. Tenho minhas dúvidas de que isso mude
por essa crise que, embora de dimensões globais, ao que tudo indica deve passar
em questão de meses. Talvez saiamos dela como uma sociedade que lava mais as
mãos, usa mais álcool gel, beija menos e evita aglomerações _ ao menos por um
tempo. Não sei se as marcas dessa crise serão profundas o suficiente para haver
mudanças radicais; desejo que sim, desconfio que não. Tem circulado na internet um
vídeo de cinco anos atrás no qual, após a crise do Ebola – mais letal, mas
menos contagioso –, Bill Gates alertava para os perigos de uma outra epidemia
viral e desenhava estratégias relativamente
simples, mas importantes de serem adotadas pelos governos. Não aconteceu."
Paulo Gleich, psicanalista
Paulo Gleich, psicanalista
Entrega da atividade: 07/04/2020
Foto da redação feita no caderno, com nome, série, turma, turno,
disciplina e enviar para o email: colegioeraldo.melo@gmail.com
Esta atividade também pode ser visualizada no:
instagram:@eraldoead2020
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