Redação 3º ano
Redação – 3º ano 13.05
Proposta de Redação
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos
conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto
dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa
sobre o tema “O acesso à internet em questão no Brasil”, apresentando
proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e
relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu
ponto de vista.
TEXTO I
EaD na educação pública ignora que 42% das casas não têm computador
Em um país em que 42% dos lares não possuem computador, a proposta
de governos estaduais e municipais de dar continuidade ao ano letivo da
educação com EaD (ensino a distância) é um prenúncio de ampliação das
desigualdades sociais e exclusão de grande parte dos estudantes do acesso às
aulas. Pesquisa TIC Domicílios 2018, realizada pelo Centro Regional de Estudos
para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, demonstra o que professores
e pesquisadores da educação vêm afirmando desde que essas iniciativas foram
apresentadas devido à suspensão das aulas em meio a pandemia de coronavírus.
São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal já estão organizando
as atividades, voltadas para todos os anos da educação básica, com exceção da
creche e da pré-escola. Os governos e prefeituras pretendem criar plataformas
acessíveis pelo celular, tablet ou computador. Os espaços terão conteúdos em
texto, imagens e videoaulas.
“Nós estamos falando de uma realidade em que a gente acha que todo
mundo tem acesso à internet. Não é verdade. Nós temos pesquisas que apontam,
aqui no Distrito Federal, onde está a capital do país, 90% dos estudantes têm
acesso e fazem uso do WhatsApp. Que ele tenha uma internet, não significa que
seja uma boa internet para acessar a plataforma do EaD. Muitas famílias não têm
sequer televisão em casa, imagina ter uma boa internet”, argumenta a diretora
da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) Rosilene Corrêa
Lima.
A professora também lembra que o sucesso do Ead depende da
capacidade do estudante de acessar, compreender e interagir com os conteúdos.
“Um aluno de educação a distância precisa ter o mínimo de autonomia pedagógica.
Preciso ter disciplina e a faixa etária dos nossos estudantes da educação
básica não atende a isso. Outra coisa é que o Estado não pode oferecer a
educação, que é sua obrigação constitucional, apenas para uma parte dos seus
alunos. E EaD, com os recursos tecnológicos que eles estão tentando trabalhar
agora, vai excluir uma parte significativa dos nossos alunos”, explicou
Rosilene.
Na mesma
linha, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação também destacou uma série de
motivos pelos quais o EaD não deve ser aplicado como solução para o ano letivo
de 2020. “Oferecer a educação a distância na educação básica é rejeitar o
direito à educação, pois implementar a modalidade é algo impossível de se fazer
sem ampliar as desigualdades da educação brasileira, ainda que seja neste
período de exceção”, defende a organização.
Entre os motivos apontados pela Campanha, destaca-se, além da
desigualdade já apontada, o fato de que muitas escolas, sobretudo públicas, não
possuem infraestrutura, não dispõem de plataformas e professores com formação
adequada para trabalhar com a modalidade. A organização também aponta que o EaD
não é adequado para o ensino fundamental, pois a criança ainda precisa
desenvolver autonomia, capacidade de concentração e autodisciplina que a
modalidade requer. E nem para o ensino médio, pois exigiria uma estrutura
complexa de adaptação, adequação pedagógica e condições de apoio ao
ensino-aprendizagem.
Para Rosilene, seria possível os sistemas educacionais municipais
e estaduais oferecerem apoio educacional aos estudantes de outras formas. “Acho
que ninguém tem condições de fazer previsão nenhuma. E não só para o calendário
letivo, mas para a vida. Nós estaremos tratando quais serão as condições reais
que nós teremos para reorganizar as nossas vidas, no aspecto trabalhista,
financeiro, emocional. As aulas deveriam ter conteúdos voltados para a preservação
da vida, orientar as famílias na superação desse período”, ponderou.
Disponível
em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/doencas/epidemia.htm (Adaptado)
TEXTO II
Acesso à tecnologia: o novo indicador de desigualdade
Relatório da Unicef mostra como as enormes lacunas no acesso à
internet na infância afetam a educação e entrada no mercado de trabalho.
Por Patricia Pieró*
O mundo digital com todas as suas vantagens – como a infinidade de
informações ao alcance de um clique e a comunicação imediata – não chega a
todos da mesma forma. O acesso à internet pode marcar a diferença entre a
exclusão social e a igualdade de oportunidades. Se não forem adotadas soluções,
aumentará a disparidade existente entre os países mais desenvolvidos e as
nações em desenvolvimento. O alerta é feito pelo Unicef em seu relatório
Situação Mundial da Infância 2017: as crianças em um mundo digital.
Na África, 60% das pessoas entre 15 e 24 anos não têm acesso à
internet; na Europa, essa porcentagem cai para 4%. Os países em que crianças e
adolescentes têm menos acesso estão no continente africano. A digitalização
também é limitada em áreas de conflito armado deflagrado ou recente, como
Iêmen, Iraque
e
Afeganistão. “O mundo tecnológico se move tão rápido que, se forem adotadas as
medidas necessárias para que o acesso chegue a todas partes, provavelmente esse
será um dos campos em que poderemos avançar mais depressa”, diz Blanca Carazo,
diretora do Comitê Espanhol de Programas do Unicef.
Promover estratégias de mercado que favoreçam a implantação de
empresas de tecnologia, o apoio por parte dos provedores a entidades locais e a
implantação de conexões públicas à internet são algumas das medidas propostas
pelo Unicef para reduzir o desnível. “O objetivo é muito claro: não deixar
ninguém para trás nessa corrida. É um mandato universal que concerne a todos:
Governos, empresas e universidades”, aponta Carazo. A organização identifica
quatro benefícios derivados da implantação maciça de novas tecnologias:
1. Melhora na qualidade da educação.
2. Possibilidade de acessar ferramentas e informação que permitam
aos jovens buscar novas soluções para seus problemas.
3. Nova economia com mais opções profissionais para os jovens.
4. Melhor atenção em caso de emergência.
No continente africano são muitas as amostras dos passos que vêm
sendo dados para a digitalização. Um exemplo citado no relatório vem do campo
de refugiados de Danamadja, no sul do Chade: na falta de uma biblioteca, as
crianças utilizam seus telefones celulares para fazer os deveres. Nos últimos
anos também têm surgido incubadoras de empresas; já existem numerosas
plataformas digitais que melhoram o desenvolvimento e fomentam a inovação, como
a Ushahidi, e diversas tentativas de modernizar o sistema de saúde em vários
países. [...]
Alguns dados essenciais do relatório:
Em nível global, as pessoas com idade entre 15 e 24 anos são o
grupo mais conectado. Desse grupo, 71% têm o hábito de acessar a internet,
contra 48% da população total.
Um terço dos menores de 18 anos acessa a internet no mundo.
29% dos jovens entre 15 e 24 anos (346 milhões de pessoas) não têm
acesso à internet.
Esse dado se acentua no continente africano, onde 60% dos jovens
não podem se conectar à internet. Na Europa essa percentagem cai para 4%.
Entre 2012 e 2017, estima-se que 100 milhões de crianças tenham
acessado a internet pela primeira vez.
Disponível
em: https://vermelho.org.br/2017/12/18/acesso-a-tecnologia-o-novo-indicador-de-desigualdade/
TEXTO III
Entrega da atividade: 20/05/2020
Foto da atividade respondida no caderno, com nome,
série, turma, turno, disciplina e enviar para o email: colegioeraldo.melo@gmail.com

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