Iniciação Científica 2º ano
COLEGIO ESTADUAL ERALDO TINOCO DE MELO
INICIAÇÃO CIENTÍFICA – 2º ano Atividades da II UNIDADE Data: 10/07
Os riscos no transporte
público durante a pandemia
Em entrevista exclusiva, Rafael Calábria, coordenador de
mobilidade urbana do IDEC, comenta sobre a situação no transporte público e
orienta a melhor medida para aumentar a segurança da população. Nos últimos
meses, diversas mudanças têm acontecido para tentar
diminuir a contaminação do coronavírus no Brasil. No entanto, muitas ações
não tiveram resultado positivo e o que se vê, infelizmente, é o número de casos
aumentando, dia após dia. O transporte público é
um dos locais que mais preocupa a população brasileira, principalmente, pela
falta de condições de distanciamento. Medidas como a redução na circulação de
ônibus, trens e metrôs, foram anunciadas, mas as lotações continuam acontecendo
e não acompanham a demanda de passageiros.
A Consumidor Moderno conversou
com Rafael Calábria,
coordenador do programa de mobilidade urbana do Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), que
orientou sobre o assunto e explicou qual a melhor medida para aumentar a
segurança. Segundo o especialista, “a lotação contraria frontalmente as
recomendações de distanciamento social, e impacta principalmente a população de
mais baixa renda e mais vulnerável, que são a maioria dos usuários de
transportes públicos nas cidades.”
Para
ele, o ajuste da frota é o ponto mais importante no momento e pode ser a
solução para quem necessita usar os veículos com frequência. “O órgão de
transporte deve ajustar a frota e a quantidade de viagens necessárias para
garantir que não tenha lotações nos ônibus. É preciso prever uma frequência
relativamente maior do que tínhamos antes da pandemia, quando as lotações já
eram muito frequentes”, ressalta Calabria.
Riscos
no transporte público durante a pandemia
RAFAEL CALABRIA: A
lotação contraria frontalmente as recomendações de distanciamento social, e
impacta principalmente a população de mais baixa renda e mais vulnerável que
são a maioria dos usuários de transportes públicos nas cidades. Ainda, quanto
mais longe a pessoa morar, e mais tempo passar no transporte, mais ela estará
exposta ao contágio. É um problema que tem um impacto muito desigual,
prejudicando mais as populações mais periféricas.
CM: Você sabe como está
acontecendo o processo de higienização e limpeza nos transportes públicos e
estações de embarque? Os cuidados são suficientes para quem utiliza os espaços?
RC: Os
órgãos de transportes tem ampliado a limpeza, e alguns anunciado a limpeza em cada
viagem, o que é importante. Mas com a quantidade de usuários e o sobe e desce
constante de pessoas, a limpeza não é suficiente. É preciso manter os ônibus em
quantidades suficientes para garantir que não tenha aglomeração.
CM: A falta de condições de distanciamento
no transporte público tem sido extremamente questionada pela população. Como as
pessoas podem fazer exigências para melhorar a situação? Quem e como elas devem
questionar?
RC: É
importante que elas não tolerem as aglomerações. Sempre que encontrarem ônibus
lotados e se sentirem inseguras devem reclamar ao órgão de transporte que está
usando, seja municipal ou intermunicipal.
CM:Você acredita que não há
veículos suficientes para atender a demanda de passageiros? Como ajustar a
frota com à necessidade da população?
RC:
O ajuste da frota é realmente o ponto mais importante agora. O órgão de
transporte deve ajustar a frota e a quantidade de viagens necessárias para
garantir que não tenha lotações nos ônibus. É preciso prever uma frequência
relativamente maior do que tínhamos antes da pandemia, quando as lotações já
eram muito frequentes. Agora que a demanda está bem baixa, pode ser que a
oferta possa diminuir, mas a proporção de ônibus por passageiros deve ser muito
maior do que no ‘antigo normal’.
Existem
dados para que os órgãos de trânsito possam fazer esse cálculo. Todos conseguem
avaliar a demanda pela bilhetagem, e algumas cidades já contam com GPS e
registro de GPS da bilhetagem, como São Paulo. Nestas cidades dá para fazer uma
análise muito precisa, praticamente por hora, e oferecer um serviço adequado.
Outro elemento que é ignorado é a participação e escuta dos usuários. A
crítica, avaliação e reclamação deles poderia ajudar o órgão a entender onde há
mais demanda, e onde ainda precisa melhorar. Falta muita vontade política para
coordenar este serviço com a avaliação do usuário e a qualidade que ele
precisa.
CM: E sobre os motoristas dos
transportes, como eles devem reagir? Eles podem pedir ou orientar para um
passageiro não entrar durante o trajeto?
RC: Não
deve ser responsabilidade do motorista. É responsabilidade do órgão de
transporte ajustar a frota necessária para evitar que não tenha lotações. O
motorista não tem poder para tentar tomar decisões que possam irritar e
impactar os direitos dos usuários, o que poderia levar a confusões e
desentendimentos. Isso seria o poder público transferindo sua responsabilidade
para um simples trabalhador.
CM: Adianta dar a recomendação
ou até criar uma lei se não existir ampliação da frota e fiscalização?
RC: A
recomendação é importante para ser usada como um termômetro do serviço
prestado. Se houver muitos ônibus com pessoas em pé, o órgão de transporte está
falhando. Como uma avaliação do resultado, tentar corrigir o problema por aqui
é inverter a lógica.
CM: Qual a melhor solução para
que as pessoas que necessitam se locomover possam ter segurança em meio à
pandemia? Há algo em que empresas privadas possam ajudar?
RC: Na
busca da solução, o mais urgente é o órgão de transportes estar atento à todas as
mudanças de demanda dos usuários. Há uma queda de uso, pois as pessoas estão em
casa, mas essa queda é muito variável. Nas periferias caiu menos. Quem trabalha
em atividades mais informacionais pode ficar mais em casa. Já a vida das
mulheres que costumam acumular atividades de compras e de cuidado dos filhos
foi mais impactada. O planejamento do sistema deve ficar atento a estas
mudanças, e além dos dados, ter um bom canal de reclamação e de escuta dos
usuários é fundamental.
Existem
várias ações que as empresas podem buscar. É possível variar os horários para
evitar a lotação nos horários mais concentrados, distribuindo os usuários em
horários mais vazios. As empresas também precisam adotar soluções e cuidados
para os trabalhadores que moram mais longe ou estão no grupo de risco,
estendendo ao máximo as possibilidades de trabalho remoto.
CM: As soluções também podem
ser aplicadas na periferia?
RC: A
periferia é de fato o local mais afetado e que precisa de mais atenção e
investimentos. Pela desigualdade econômica, informalidade e falta de um auxílio
financeiro adequado, as pessoas na periferia são obrigadas a se deslocarem
mais. Na periferia costuma haver menos opções de transportes, menos metrô e
normalmente as pessoas dependem de uma linha que liga o bairro dela até um
terminal mais central. Com isso os órgãos de trânsito precisam ficar muito
atentos à ocupação do ônibus nas periferias, às mudanças de deslocamentos que
ocorreram nesse período e até à limpeza dos pontos e espaços públicos. Esta
medida seria parte de uma necessária mudança que precisamos adotar para
distribuir melhor o orçamento e o focar as políticas públicas nas periferias
das cidades.
Após
ler o texto com a entrevista do Rafael Calábria, faça uma reflexão escrevendo
um texto sobre o que ele comenta sobre o transporte coletivo em São Paulo e
transponha para a realidade de Feira de Santana e suas experiências como
consumidor do transporte público.
1-
Deve conter duas laudas (2 páginas) no mínimo que deverão ser enviadas para o
e-mail do Eraldo Tinoco, para ser corrigidas.
Entrega da atividade: 10/07/2020
Foto da atividade
respondida no caderno, com nome, série, turma,
disciplina e enviar para o email: colegioeraldo.melo2@gmail.com
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