Geografia 1º ano
COLEGIO
ESTADUAL ERALDO TINOCO DE MELO
GEOGRAFIA – 1º ano Ensino Integral
Data: 10/09/2020
Texto para leitura complementar do
livro, página 30 até a 35
ENTENDENDO O CAPITALISMO
O Capitalismo é
um sistema em que predomina a propriedade privada e a busca constante pelo
lucro e pela acumulação de capital, que se manifesta na forma de bens e
dinheiro. Apesar de ser considerado um sistema econômico, o capitalismo
estende-se aos campos políticos, sociais, culturais, éticos e muitos outros,
compondo quase que a totalidade do espaço geográfico.
A base
para formação, consolidação e continuidade do sistema capitalista é a divisão
da sociedade em classes. De um lado, encontram-se aqueles que são os
proprietários dos meios de produção, a burguesia; de outro,
encontram-se aqueles que vivem de sua força de trabalho, através do recebimento
de salários: os proletários. No caso do meio agrário, essa relação
também se faz presente, pois os donos das terras, geralmente latifundiários,
ganham lucros sobre os trabalhos dos camponeses.
Com a era da Globalização, o sistema
capitalista tornou-se predominante em praticamente todo o mundo. Porém, as suas
fases e etapas de desenvolvimento não ocorrem de forma igualitária na
totalidade do espaço mundial, isso porque a sua lógica de produção e reprodução
é puramente desigual. Assim, algumas nações apresentam estágios mais avançados
de capitalismo e outras apresentam os seus aspectos ainda iniciais. Para
conhecer essas fases e aspectos, torna-se importante conhecer o surgimento e a
história do capitalismo.
Surgimento
e desenvolvimento do sistema capitalista
O
processo de surgimento do capitalismo foi lento e gradual, iniciando-se na
chamada Baixa Idade Média (do século XIII ao XV), com a formação de pequenas
cidades comerciais, denominadas burgos. Essas cidades desafiavam a
ordem então vigente na época, a do feudalismo, em que a Europa era repartida em
vários feudos, cada um comandado exclusivamente pelo seu Senhor Feudal. A usura
era condenada pela Igreja Católica, a instituição mais poderosa na Idade Média,
o que dificultava, ainda mais, o nascimento do novo sistema que se encontrava
em emergência.
Com o passar do tempo, o poder da
classe que comercializava nos burgos, a burguesia, foi se expandido e o acúmulo
de capital difundiu-se. Tal fator, associado ao crescimento dessas cidades e ao
consequente processo de relativa urbanização da Europa, além de fatores
históricos (como as Cruzadas), provocou uma gradativa derrocada do sistema
feudal e o surgimento do capitalismo. O principal evento que marcou a formação
desse novo modelo econômico de sociedade foi a realização das Grandes
Navegações no final do século XV e início do século XVI.
Com a
sua formação, o novo sistema passou por três principais fases de
desenvolvimento, a saber: o capitalismo comercial, o industrial e
o financeiro.
Capitalismo
Comercial
Em seu período de surgimento e
consolidação, o capitalismo ainda não conhecia a industrialização e, tampouco,
a formação de grandes adensamentos urbanos. Sendo assim, a economia nesse
período era essencialmente centrada nas trocas comerciais e a riqueza
das nações era medida pelo acúmulo de
matérias-primas e especiarias ou a capacidade de se ter acesso a elas. Por
isso, o período que vai do século XVI a meados do século XVIII é chamado de
Capitalismo Comercial.
O
modelo econômico praticado nesse período foi chamado de Mercantilismo e
caracterizava-se pelo fortalecimento dos Estados Nacionais e sua forte
intervenção na economia. Seu papel era assegurar a máxima acumulação de lucros
por parte da burguesia e da aristocracia, bem como disputar os mercados
internacionais e o melhor acesso a matérias-primas. As premissas básicas do
mercantilismo eram: a) busca por matérias-primas a baixo custo; b) produção de
mercadorias manufaturadas; c) metalismo (acúmulo máximo de
metais preciosos) e d) a busca pela balança comercial sempre favorável, ou
seja, exportar e vender mais do que importar e comprar.
Capitalismo Industrial
Os dois fatores
históricos que ocasionaram a transição do capitalismo comercial para o
capitalismo industrial foram a Revolução Industrial (1760-1820) e a Revolução
Francesa (1789-1799). Tais acontecimentos permitiram a estabilização do poder
nas mãos da burguesia, centrando a economia na principal atividade desenvolvida
e administrada por essa classe: a industrialização.
Nesse período, a
Europa, principalmente a Inglaterra, exerceu um grande poder sobre o mundo, sob
a ótica do colonialismo e do imperialismo, ao importar as matérias-primas das
periferias e colônias do planeta e, depois, exportar os seus produtos
industrializados. Esse continente também passou por intensivos processos de
industrialização, formando grandes cidades que, de início, não dispunham de
grandes condições estruturais, apresentando uma grande quantidade de miseráveis
e moradias precárias.
O modelo econômico predominante nesse período foi o liberalismo
econômico, elaborado por Adam Smith e que preconizava a mínima
intervenção do Estado nas práticas econômicas. Tal posição consolidou o máximo poder
da burguesia, uma vez que seria ela – na figura do Mercado – quem controlaria o
andamento da economia.
Capitalismo Financeiro ou Monopolista
A transição do
capitalismo para a sua fase financeira ocorreu através do processo de
investimento do capital bancário sobre o capital industrial. Tal fator
propiciou o surgimento de grandes empresas, que passaram a se dividir em ações
que eram negociadas como mercadorias, sendo mais valorizadas à medida que os
lucros das empresas se ampliassem.
Com isso, a economia
não estava mais centrada nas práticas industriais, mas nas práticas
especulativas e financeiras. A busca pela acumulação de capital intensificou-se
e alcançou patamares jamais vistos na história da humanidade.
Com a crise de 1929, o modelo econômico foi alterado e o
sistema keynesiano passou a ser hegemônico. Esse
sistema foi elaborado pelo economista inglês John Maynard Keynes, que
preconizava o retorno ao chamado “Estado Forte”, isto é, com a sua máxima
intervenção na economia. Esse modelo era também chamado de Welfare State (Estado
do bem-estar social) e visava ao máximo consumo a fim de abastecer as
indústrias e gerar mais empregos.
Nesse período também surgiram e se expandiram as Transnacionais,
também chamadas de Multinacionais ou Empresas
Globais, que rapidamente se instalaram em vários países,
principalmente os subdesenvolvidos, em busca de matéria-prima, mão de obra
barata e ampliação do mercado consumidor. Essas empresas, cada vez mais,
dominam o mercado internacional, monopolizando-o.
A partir dos anos
1980, o keynesianismo entrou em derrocada em benefício do neoliberalismo, que
retomava o ideal da mínima participação do Estado na Economia, que deveria
apenas atuar para assegurar a reprodução do sistema e salvar o mercado de
eventuais crises econômicas.
Atualmente, apesar de alguns livros e autores apontarem o
surgimento de um capitalismo informacional, a maioria dos
economistas defende que ainda nos encontramos na fase financeira do sistema
capitalista. O chamado meio-técnico-científico-informacional é visto como um
potente instrumento de mundialização do capitalismo e de sustentação de suas
atuais características.
Por Me. Rodolfo Alves Pena
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